domingo, 22 de março de 2009

assim, sim.

eu te amo.
amo não para sempre,
há tanto amor assim...
amo suas idas e vindas por aquele espaço seu,
amo a saudade de você me mostrando como,
amo suas curvas curtas,
amo seus seios pequenos,
suas pernas brancas,
seus detalhes intocados.
Amo como se foi,
como se fosse ficado,
amo a palavra dita,
a mal dita,
a nunca proferida,
por nunca ter me amado.
Amo sua mente desconhecida,
seu estado de estudo,
sua prancha de salvação,
sua felicidade independente de mim,
seus gostos opostos aos meus.
E amo amar assim,
amo amar sozinho,
aqui no meu cantim...

short

me abrace,

com suas,
pernas
assim,
e me tenha
entre si.
e entre
nós
apenas
saberemos
o gozo
de
olhar.

cruzeiro

Contentei-me com a morte de parte,
Aquele cruzeiro ao longe, branco lateral com o horizonte para todos os lados,
A estrada sem entradas laterais ou cruzamentos de dúvidas,
Com a neve sem frio, em fotos de fatos sem panos meus,
Pasmado sem o ânimo no selim, sem a força do joelho agora quebrado,
Com as frases em cima de outras, coloco-me sob seu mundo,
Solitário com a falta dos meus pêsames, seus,
Coloquei-me em bruços, de brusco, para os olhos do mundo,
Contento-me em ser somente meu.

sexta-feira, 20 de março de 2009

já vais?

assim como estou, eu digo sim.
talvez nem tenha tempo,
jaz com o tempo que não tem.
e já, que tens a doença,
eu tenho a cura.
mas, por favor não me curra,
a minha insistência de ser.

quinta-feira, 19 de março de 2009

em instantes, num piscar de olhos

dantes, não tinha o antes de te conhecer.
antes que seja, que sejam instantes de prazer.
prazeres antes, que seja antes de perceber,
que tudo que é antes, dura um instante.
e que durante, sejamos amantes de nos conhecer.

estas

o que haverá
ou o que há
não saberá.
são estranhas
mostram entranhas
mas não se arranha
nem a casca.
mexem na teia
encampam os mortos
soltam os corpos
pelas metades inteiras.
consolam-se em si
enquanto estamos aqui
esperando o lá
estupram nossos nós.
passaram sozinhas
arrumando casinhas
enquanto os ovos
esbarravam nos outros.
perdidas não cedem
não choram mais
não pedem amor
não falam a própria dor.

terça-feira, 17 de março de 2009

nem um pio

já havia dito de sua parte que cabia-lhe dizer-me. a parte que cabia-me ouvir de ti. quanto ao restante, moroso monstro do desapego, enfia no saco de tua viola desafinada. criação estupenda, inata, de tu, coruja barulhenta.

quinta-feira, 12 de março de 2009

terça-feira, 10 de março de 2009

ainda não finda

Acho que não me convenço,
quando não me estabeleço,
ou me desfaço daquilo que não esqueço.
Quando fui apagar a luz do jardim é que me lembrei,
ao olhar pra cima e ver a lua clareando o céu,
que eu ainda tenho que lustrar e encerar a mesa grande,
aparar as plantas mortas,
controlar o arremesso da bola de basquete em um aro que não para de diminuir.
Depois, deitar no berço esplêndido do seio branco.
Imagino até hoje,
que seu céu nos terá,
juntos,
debaixo dele.
Meus braços me cansam quando estico pra pegar qualquer coisa,
catar uma fruta,
repor um passarinho que caiu do ninho.
Para melhorar este sintoma da dependência de querer pegar coisas impossíveis,
aposto na ajuda de pessoas amáveis que possam entender que eu preciso ser admirado.
Mesmo caído,
mesmo sem surtir o efeito que quero,
quando olho para o alto e simplesmente peço,
com olhos, nem uma palavra digo,
eu ofereço meus escritos,
minha vida à procura de seu amor.
De qualquer amor.
Passageiro,
ligeiro,
sem vergonha de dizer que acaba,
que ficou teso ou que orelha não escuta o que a boca fala.
Volto para o céu, e, ver aquela claridade,
se expondo,
se consumindo,
sem se importar que se acaba,
me coloca em uma posição de giro,
de satélite naturalmente atraído por alguém que,
por não ter sido,
me será um céu.
Uma lua atrás da outra.

domingo, 8 de março de 2009

internacional

não acredito nisto. nisto de um dia apenas. parece que tudo muda em função de um dia. plantões são criados para que se atenda à memória de última hora. flores enviadas, criando situaçõe almejadas antes. de qualquer forma camas arrumadas. leitos maculados e maculosos. vazio em relacionamentos o mundo desperta para mais um dia. internacional.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html