sábado, 8 de agosto de 2009

De outros 1

Escrevo desde os 16 anos e ainda não aprendi. Talvez pela falta de estudo, pela inconstância (paro anos e volto, longos períodos escrevendo compulsivamente x longos períodos de silêncio total). Estou iniciando minhas escritas aqui neste blog, hoje, onde obtive a promessa de poder escrever o que quisesse e com periodicidade indeterminada. Meu nome sempre foi Paulo, desde que me perguntaram a primeira vez. Lembro do meu pavor de dizer meu nome e o nome que me veio à cabeça foi este. Senti-o sonoro e seguro. Nome forte para utilizar na guerra que pretendia lutar. Sobre isto falarei mais tarde em outro post. Aguarde-me. Hoje quero dizer-lhe de mim. Como aconteceu de me encontrarem vagando, de como me alimentaram e como me tornei o homem que hoje você conhecerá. Um pouco. Vamos aos poucos para que a surpresa seja construída. Nasci em uma família grande, o quarto filho, o caçula bem educado, bem vestido, bem tratado e amado. Mimo foi a primeira palavra que percebi ser para uso negativo. Meu pai dizia sempre; - você mima demais este menino. Ele teve uma premonição talvez e não interferiu pois sua visão de futuro já havia lhe dito que não participaria de grande parte de minha criação. Perdi-o quando eu ainda não usava calça comprida. Fui criança livre, cidade grande, chicletes pregados na calçada eram arrancados e "remascados" como se fossem novos ao se colocar um pouco de açúcar. Nunca tive cáries ou infecções intestinais. Minha morte já havia passado perto e ela apenas tentaria me colher bem mais tarde, já que quando novo me visitara com uma insistência tão grande que alguns parentes diziam à mãe; coitada, ele é o último filho que ela pari. Ele era eu. Fraquinho, magrinho, tão mirrado que as agulhas atravessavam meus braços e acabavam por dar-me aos braços, a aparência que afastavam as mais experientes enfermeiras. Chocadas se recusavam em me colocar o soro, que iria me reidratar para a vida. Minhas perninhas e calcanhares ganharam sua vez. Voando para a cidade do Rio de Janeiro, pois a capital naquela época ainda não tinha o Hospital de Base. E assim sobrevivi à desidratação. Daqui, não mais mascando chicletes, fui colocado em uma escola para crianças excepcionalmente inteligentes e com pouco mais de seis meses, fui chamado à diretoria para escolher entre ficar em minha classe ou passar parar outra mais adiantada. Não sabia, mas me senti como Woody Allen ao ser questionado se aceitava sua própria circuncisão. Fiquei onde estava. Ali foi meu erro. Havia uma menina mais velha um ano, eu tinha sete para oito anos, linda, cabelos pretos, franja grande, saia azul, como todas as outras. Sua calcinha eu nunca vi, Vi-a uma vez sem nada. Estranho para mim, indefinível então. Mas marcante aquela diferença dela para as outras. Ela foi meu primeiro erro com as mulheres, dentre tantos que muitas permitiriam ou não em meus romances. Sim, desde já esclareço que sempre fui de romances. Nunca houve uma mulher que eu não desejasse casar, viver e senti-la como única e interminável. Isto até ler Vinicius (eu também escrevo poesias) e compreender que o eterno sem medida é melhor. E este sentimento de romances intermináveis, paixões avassaladoras eram alimentadas por filmes que varavam à madrugada e atravessavam meu coração e colocavam minha mente em um transe deliciosamente vago, superficial em profundidade da realidade, mas que me conservou até hoje. Sou um apaixonado. E preso dentro desta paixão, um corpo sexualmente ávido, tarado eu diria. Que se controlaria para não ser presa fácil das que desejam apenas carne e vinho. Não quero generalizar. Amo e aprecio todos os tipos de mulheres. As loucas principalmente. As perigosas, literalmente. As amorosas demais, quero distância. As misteriosas, desejo tê-las por todo tempo. Ah, meu tempo de liberdade para escrever acabou agora. Esqueci quase, tenho um tempo estipulado, única condição que me é imposta. Regras externas ao blog esclareço. As luzes precisam ser apagadas em três minutos. Eu volto depois

sssssssss

ssssssssss
acompanham os sorrisos,
acompanham a saudade,
são todos suspiros,
estão em pares,
por isto são plural.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

feliz em te ver feliz

Saber se o outro está feliz, não interessa a mim primariamente. Interessa ao outro se saber feliz, sendo ele próprio feliz consigo. Eu sou apenas o feliz observador de uma pessoa que tenta ser feliz na companhia de si própria.

quanto mais

Quanto mais próximo do impossível, mais invade-me o desejo de ser tudo.

Assim tenho inteiro, o sentido das coisas que me fazem ser completo,

a esperança de viver totalmente daquilo que me sempre moveu.

É esta paixão,

esta coisa absoluta, absurdamente viva, que quando permitida,

vorazmente nos engole.

E em troca de ser alimentada,

suspende no ar os que vivem poucos anos.

Mas tanto vivem,

que os anos não existem.

Quero-a, desejo-a, amo-a,

e ser tanto assim,

por tão pouco tempo e há tão curto tempo,

que minhas vontades, minhas vidas, junto-as e entrego, me dou para conhecer as suas.

Acompanho-a,

minha,

por estar em tão grande vontade de viver e de ser este ser que cria, pensa, vive e observa.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

fortaleza

Não foi o corpo (apenas chamariz vestindo já o negro),
que primeiro minha visada observou na fortaleza.

Foram os olhos (miras de mirante futuro),
que me levaram ao mergulho do qual ainda não saí.
Fitei-os longamente e engoliram-me braços (entregues desarmados).

E o coração (como sendo a antiga sede da alma),
não se quis sozinho e acompanhando o pensar quedou-se (e aí está),
esperando um toque dos dedos seus.

Em seguida, vi o riso (que ainda hoje criança permanece),
dizendo-me:
- quero ser, quero ser.

E quando dentro (como se dentro carregasse o outro também),
vi seu corpo,
completo,
belo,
significante (coberto de descobrires).

sexta-feira, 31 de julho de 2009

penha

Guardar o resto dos verbos para que seja entregar,
em mãos.
Às tuas, sou teu.
Em olhar-te nos teus grandes, encimados por duas negras curvas,
chamam-me.
Entregue-me ao riso,
os teus,
que fazem os meus.
Derramo-me à sua frente, agacho-me, beijo-te os lábios.
Tu sabes a sede,
aonde será minha coberta,
o cruzar das pernas,
a coluna que não suporta o corpo, mas a ti.
sim!
Mente, mente... ah! a mente...
Diga-me se a verdade desce a penha,
à segurar pelos dedos a vontade do voluntário para o amar.
Sustenta-me na palma de tua palavra, a não dita.
Sigo-te por entre ti,
volteio ao seu redor,
encontro-me por buscar-me com tão grande entrega.
Sou preso em ser liberto para te admirar.
Guardo ainda o verbo encontrar.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

observada

nonsense
surreal
surpreendente
sensacional
genial
geniosa?
e ainda desfila pelada na minha sala!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

*quiz. é um quiz!

oculta
a culta menina
vernacular.
aprendendo amor
amor?
desilude
compreende.
questionamento
em todo momento.
poetisa
musa.
moça esboçada
sorriso.
universal religação
baixo louva
doze sons em outro.
instrumento de inspiração
em fases postais.

domingo, 26 de julho de 2009

li!

é.... que....
bem... err...
olha.... sabe...
eu.... você não...
mas... bem...
aqui... então...
olha... hum...
oi?

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Crisálida

Aonde ir sem encontrar papéis virtuosamente solitários?
Gostosos de se tocar como seda,
seda que me avermelhe as mãos.
Como se a vergonha fosse somente minha ao tocar fora dela.

E mesmo ainda sob ela, eu sinta, ela. E que ela me sinta.

Aos trinta, quarenta;
ao descanso irei,
terei todo tempo para olhar e ver o olhar coberto pelo verde.
Espantosa maneira de me olhar.

E eu serei quedado ao me sentir vertical, onde as pernas tremem e não caio.

Pronto para morrer nas alegrias corporais expressas,
conduzidas por palavras também,
audíveis apenas também após sessenta dias.
Pelos mortos cansados de esperar.

Crisálida muda o mar e se envolta ao nele se voltear..

domingo, 19 de julho de 2009

envolto

Às vezes, sangue.
Muitas vezes, água.
E, estes,
esvaem,
deságuam
e desandam sem parar.
E tomam os caminhos abertos,
que em curvas parecem que não vão.
Mas nunca ficam parados,
transbordariam no seu incessante.
E nas bordas,
sangue e aguaceiro,
convertem palavras em amor.
Em amor de rio cheio,
vida, verbo de ser.
Ver desde a margem é paixão fulminante.
É chamada para mergulhar.
E levando consigo, para sempre,
o que já não é meu,
congela o sorriso na felicidade.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html