sábado, 28 de março de 2009

reveja, junho de 2008

Sábado, 28 de Junho de 2008

Mais além
Conscientemente eu almejo ter seu corpo,
esquio,
escalo,
domino.
Finco minha bandeira ao alto do monte e acaricio seu manto,
e sinto o vento de seu suspiro aumentando meu contentamento em estar colado,
calado,
corpos respirando juntos,
sucessivos e conjuntos na respiração vagarosa,
prazerosa,
momentânea e completa,
já que a vida podia terminar agora.
O que seria pra manchete que ninguém entenderia,
o porque de tanta paixão,
corpos nus encontrados no ato final.
Eu te desejo como mulher que és,
como senhorinha,
como suco,
tomo-o, sorvo-o,
e para te enaltecer,
digo que és uma delícia,
carne viva e branca,
leitosa,
longa,
sem fim.
e acima e abaixo eu acaricio esta pele,
estes poros.
Tudo o que mais nos uniu separou/Tudo que tudo exigiu renegou/Da mesma forma que quis recusou/O que torna essa luta impossível e passiva/O mesmo alento que nos conduziu debandou/Tudo que tudo assumiu desandou/Tudo que se construiu desabou /O que faz invencível a ação negativa/É provável que o tempo faça a ilusão recuar/Pois tudo é instável e irregular/E de repente o furor volta/O interior todo se revolta/E faz nossa força se agigantar/Mas só se a vida fluir sem se opor/Mas só se o tempo seguir sem se impor/Mas só se for seja lá como for/O importante é que a nossa emoção sobreviva/E a felicidade amordace essa dor secular/Pois tudo no fundo é tão singular/É resistir ao inexorável/O coração fica insuperável/E pode em vida imortalizar/Paulo César Pinheiro e Eduardo Gudin - 1974

reveja, outubro de 2008

Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

aberto
Minhas perguntas não são feitas para mim em todo tempo,
já que não quero ou não posso respondê-las agora.
Faço perguntas ao vento, aspirando mais sentimentos do que respostas.
Pergunto a lua com um olhar de me leva e me deixa ser o motivo para ver.
Pergunto ao tempo:
quanto tempo e quando?
Minhas perguntas são montadas em cima de folhas secas que piso,
quando caminho pensando em você.
São montadas no barulho do e-mail chegando, da página se abrindo,
ou sobre a mensagem enviada.
Pergunto à madrugada se haverá uma alvorada ao seu lado,
e se tocará uma música qualquer antes, durante e depois,
para ficar marcada como relevo na capa do romance que não vivi ao seu lado.
Pergunto aqui e ali se o querer do não poder é justo.
Se é irrepreensível.
Pergunto, às minhas lágrimas, se elas continuarão a causar-me desamparo.
Pergunto com letras, como estas que te escrevo,
se me querer pode ser assim tão distante, tão distante, tão ausente de algum sinal.
Pergunto quando o riso me vem, se entrego a ti ou deixo ficar e se apagar, apenas para mim.
Pergunto, absorto de loucura, se haverá o fim, se houve começo.
Se me ouve.
Ouve-me agora!
Não posso deixar as perguntas me tomando o corpo e a razão,
que já não domino.
Minha pergunta sem resposta é esta também: minha dor te interessa?

quinta-feira, 26 de março de 2009

com fundo raso.

- Ela?
- Sim!
- Não há vejo.
- E o desejo? Passou?
- Por mim. Ele passou. Mas está aqui ainda.
- Agarrou?
- Ela? Quis. Mas não.
- Não! Não ela. O desejo.
- Ele é que me agarrou. O leme.
- Leme? Com este vento...
- Vai me levando com vela é tudo.
- Reza?
- Não, raso. Raspa no fundo do meu casco.

domingo, 22 de março de 2009

assim, sim.

eu te amo.
amo não para sempre,
há tanto amor assim...
amo suas idas e vindas por aquele espaço seu,
amo a saudade de você me mostrando como,
amo suas curvas curtas,
amo seus seios pequenos,
suas pernas brancas,
seus detalhes intocados.
Amo como se foi,
como se fosse ficado,
amo a palavra dita,
a mal dita,
a nunca proferida,
por nunca ter me amado.
Amo sua mente desconhecida,
seu estado de estudo,
sua prancha de salvação,
sua felicidade independente de mim,
seus gostos opostos aos meus.
E amo amar assim,
amo amar sozinho,
aqui no meu cantim...

short

me abrace,

com suas,
pernas
assim,
e me tenha
entre si.
e entre
nós
apenas
saberemos
o gozo
de
olhar.

cruzeiro

Contentei-me com a morte de parte,
Aquele cruzeiro ao longe, branco lateral com o horizonte para todos os lados,
A estrada sem entradas laterais ou cruzamentos de dúvidas,
Com a neve sem frio, em fotos de fatos sem panos meus,
Pasmado sem o ânimo no selim, sem a força do joelho agora quebrado,
Com as frases em cima de outras, coloco-me sob seu mundo,
Solitário com a falta dos meus pêsames, seus,
Coloquei-me em bruços, de brusco, para os olhos do mundo,
Contento-me em ser somente meu.

sexta-feira, 20 de março de 2009

já vais?

assim como estou, eu digo sim.
talvez nem tenha tempo,
jaz com o tempo que não tem.
e já, que tens a doença,
eu tenho a cura.
mas, por favor não me curra,
a minha insistência de ser.

quinta-feira, 19 de março de 2009

em instantes, num piscar de olhos

dantes, não tinha o antes de te conhecer.
antes que seja, que sejam instantes de prazer.
prazeres antes, que seja antes de perceber,
que tudo que é antes, dura um instante.
e que durante, sejamos amantes de nos conhecer.

estas

o que haverá
ou o que há
não saberá.
são estranhas
mostram entranhas
mas não se arranha
nem a casca.
mexem na teia
encampam os mortos
soltam os corpos
pelas metades inteiras.
consolam-se em si
enquanto estamos aqui
esperando o lá
estupram nossos nós.
passaram sozinhas
arrumando casinhas
enquanto os ovos
esbarravam nos outros.
perdidas não cedem
não choram mais
não pedem amor
não falam a própria dor.

terça-feira, 17 de março de 2009

nem um pio

já havia dito de sua parte que cabia-lhe dizer-me. a parte que cabia-me ouvir de ti. quanto ao restante, moroso monstro do desapego, enfia no saco de tua viola desafinada. criação estupenda, inata, de tu, coruja barulhenta.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html