a terra tem olho azul
e pele branca.
suas águas me entornam
e suas terras me têm.
segunda-feira, 30 de março de 2009
julho de 2008, revendo
Terça-feira, 1 de Julho de 2008
Leite
Preciso deixar-me sair de dentro de mim.
Já.
Preciso ir a algum lugar para me observar,
de fora para dentro.
Preciso descansar de mim,
de você que está tão aqui dentro.
Solidão de dor,
de consciência,
de esperança,
de certezas tristes,
de coisas tangíveis e eternas.
Quero a companhia do passageiro,
da passageira,
do que vai morrer logo ali.
A companhia das coisas que a gente vê,
rapidamente,
e guarda na memória pra lembrar depois,
se precisar.
Desespero total a curto prazo,
melhor que pensar em tê-la sem tê-la,
de tê-la a pensar sem pensar...
Quero me aninhar em mim mesmo,
mesmo sabendo que daqui não sai leite morno,
colostro.
Nem carinho de pai.
Sinto não poder ter-me em ti.
Leite
Preciso deixar-me sair de dentro de mim.
Já.
Preciso ir a algum lugar para me observar,
de fora para dentro.
Preciso descansar de mim,
de você que está tão aqui dentro.
Solidão de dor,
de consciência,
de esperança,
de certezas tristes,
de coisas tangíveis e eternas.
Quero a companhia do passageiro,
da passageira,
do que vai morrer logo ali.
A companhia das coisas que a gente vê,
rapidamente,
e guarda na memória pra lembrar depois,
se precisar.
Desespero total a curto prazo,
melhor que pensar em tê-la sem tê-la,
de tê-la a pensar sem pensar...
Quero me aninhar em mim mesmo,
mesmo sabendo que daqui não sai leite morno,
colostro.
Nem carinho de pai.
Sinto não poder ter-me em ti.
domingo, 29 de março de 2009
primeira carta
Tento achar algo que possa ser longo o bastante para que estendas a mão
e entenda a aspereza de quem quer servir-te
Quando acordo, não é em você que penso logo, nem durante o dia ao menos,
mas perto do meio dia, sim, eu me lembro de sua claridade.
Diferentemente de outros dias, quando lembro de você, algo seu me anima.
Sei que seus pensamentos são muitos, e, não quero ser confusão no meu modo de falar.
Quem está mais próximo, à sua volta, pode abraçá-la, tocá-la e beijar suas mãozinhas,
que imagino, sejam pequenas.
Eu não.
Isto me faz ficar mais próximo de você do que se realmente estivesse.
É esta uma das emoções que tenho hoje.
Não ter o que é de outros, de outras, de épocas ou de anos mais recentes que os meus,
tem sido a rotina.
Sei que sua sede de viver ainda será muita e esta sede não lhe faltará na vida, às vezes.
A vida é assim mesmo,
depois de vários outonos febris, verões esperançosos, primaveras e invernos tristes ou sombrios, ficamos menos dependentes da vida que esperamos ter.
Peço que tenha calma e espere que o tempo faça parte de você,
já que ele é nosso aliado, não inimigo.
Se minha admiração por sua fala, suas imagens trocadas, for maior que o desejo de tê-la distante e desconhecida, a verei no espelho d'água.
Se seus olhos forem como seus olhares, terei certeza que tenho em você, uma mestra e discípula eficiente e eficaz.
Tudo numa só pessoa, assim, surreal e imaginativa.
Sua beleza, quando olha para cima, me coloca em fase de lua cheia.
e entenda a aspereza de quem quer servir-te
Quando acordo, não é em você que penso logo, nem durante o dia ao menos,
mas perto do meio dia, sim, eu me lembro de sua claridade.
Diferentemente de outros dias, quando lembro de você, algo seu me anima.
Sei que seus pensamentos são muitos, e, não quero ser confusão no meu modo de falar.
Quem está mais próximo, à sua volta, pode abraçá-la, tocá-la e beijar suas mãozinhas,
que imagino, sejam pequenas.
Eu não.
Isto me faz ficar mais próximo de você do que se realmente estivesse.
É esta uma das emoções que tenho hoje.
Não ter o que é de outros, de outras, de épocas ou de anos mais recentes que os meus,
tem sido a rotina.
Sei que sua sede de viver ainda será muita e esta sede não lhe faltará na vida, às vezes.
A vida é assim mesmo,
depois de vários outonos febris, verões esperançosos, primaveras e invernos tristes ou sombrios, ficamos menos dependentes da vida que esperamos ter.
Peço que tenha calma e espere que o tempo faça parte de você,
já que ele é nosso aliado, não inimigo.
Se minha admiração por sua fala, suas imagens trocadas, for maior que o desejo de tê-la distante e desconhecida, a verei no espelho d'água.
Se seus olhos forem como seus olhares, terei certeza que tenho em você, uma mestra e discípula eficiente e eficaz.
Tudo numa só pessoa, assim, surreal e imaginativa.
Sua beleza, quando olha para cima, me coloca em fase de lua cheia.
sábado, 28 de março de 2009
reveja, julho de 2008
Sexta-feira, 11 de Julho de 2008
linda
não é de modo nenhum/não se pode/
serei completo /o momento exige/
a forma e conteúdo permitem/
o silêncio não é a solução/
conter o turbilhão será insuportável/
portanto digo/
linda!
linda
não é de modo nenhum/não se pode/
serei completo /o momento exige/
a forma e conteúdo permitem/
o silêncio não é a solução/
conter o turbilhão será insuportável/
portanto digo/
linda!
reveja, junho de 2008
Sábado, 28 de Junho de 2008
Mais além
Conscientemente eu almejo ter seu corpo,
esquio,
escalo,
domino.
Finco minha bandeira ao alto do monte e acaricio seu manto,
e sinto o vento de seu suspiro aumentando meu contentamento em estar colado,
calado,
corpos respirando juntos,
sucessivos e conjuntos na respiração vagarosa,
prazerosa,
momentânea e completa,
já que a vida podia terminar agora.
O que seria pra manchete que ninguém entenderia,
o porque de tanta paixão,
corpos nus encontrados no ato final.
Eu te desejo como mulher que és,
como senhorinha,
como suco,
tomo-o, sorvo-o,
e para te enaltecer,
digo que és uma delícia,
carne viva e branca,
leitosa,
longa,
sem fim.
e acima e abaixo eu acaricio esta pele,
estes poros.
Mais além
Conscientemente eu almejo ter seu corpo,
esquio,
escalo,
domino.
Finco minha bandeira ao alto do monte e acaricio seu manto,
e sinto o vento de seu suspiro aumentando meu contentamento em estar colado,
calado,
corpos respirando juntos,
sucessivos e conjuntos na respiração vagarosa,
prazerosa,
momentânea e completa,
já que a vida podia terminar agora.
O que seria pra manchete que ninguém entenderia,
o porque de tanta paixão,
corpos nus encontrados no ato final.
Eu te desejo como mulher que és,
como senhorinha,
como suco,
tomo-o, sorvo-o,
e para te enaltecer,
digo que és uma delícia,
carne viva e branca,
leitosa,
longa,
sem fim.
e acima e abaixo eu acaricio esta pele,
estes poros.
Tudo o que mais nos uniu separou/Tudo que tudo exigiu renegou/Da mesma forma que quis recusou/O que torna essa luta impossível e passiva/O mesmo alento que nos conduziu debandou/Tudo que tudo assumiu desandou/Tudo que se construiu desabou /O que faz invencível a ação negativa/É provável que o tempo faça a ilusão recuar/Pois tudo é instável e irregular/E de repente o furor volta/O interior todo se revolta/E faz nossa força se agigantar/Mas só se a vida fluir sem se opor/Mas só se o tempo seguir sem se impor/Mas só se for seja lá como for/O importante é que a nossa emoção sobreviva/E a felicidade amordace essa dor secular/Pois tudo no fundo é tão singular/É resistir ao inexorável/O coração fica insuperável/E pode em vida imortalizar/Paulo César Pinheiro e Eduardo Gudin - 1974
reveja, outubro de 2008
Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008
aberto
Minhas perguntas não são feitas para mim em todo tempo,
já que não quero ou não posso respondê-las agora.
Faço perguntas ao vento, aspirando mais sentimentos do que respostas.
Pergunto a lua com um olhar de me leva e me deixa ser o motivo para ver.
Pergunto ao tempo:
quanto tempo e quando?
Minhas perguntas são montadas em cima de folhas secas que piso,
quando caminho pensando em você.
São montadas no barulho do e-mail chegando, da página se abrindo,
ou sobre a mensagem enviada.
Pergunto à madrugada se haverá uma alvorada ao seu lado,
e se tocará uma música qualquer antes, durante e depois,
para ficar marcada como relevo na capa do romance que não vivi ao seu lado.
Pergunto aqui e ali se o querer do não poder é justo.
Se é irrepreensível.
Pergunto, às minhas lágrimas, se elas continuarão a causar-me desamparo.
Pergunto com letras, como estas que te escrevo,
se me querer pode ser assim tão distante, tão distante, tão ausente de algum sinal.
Pergunto quando o riso me vem, se entrego a ti ou deixo ficar e se apagar, apenas para mim.
Pergunto, absorto de loucura, se haverá o fim, se houve começo.
Se me ouve.
Ouve-me agora!
Não posso deixar as perguntas me tomando o corpo e a razão,
que já não domino.
Minha pergunta sem resposta é esta também: minha dor te interessa?
aberto
Minhas perguntas não são feitas para mim em todo tempo,
já que não quero ou não posso respondê-las agora.
Faço perguntas ao vento, aspirando mais sentimentos do que respostas.
Pergunto a lua com um olhar de me leva e me deixa ser o motivo para ver.
Pergunto ao tempo:
quanto tempo e quando?
Minhas perguntas são montadas em cima de folhas secas que piso,
quando caminho pensando em você.
São montadas no barulho do e-mail chegando, da página se abrindo,
ou sobre a mensagem enviada.
Pergunto à madrugada se haverá uma alvorada ao seu lado,
e se tocará uma música qualquer antes, durante e depois,
para ficar marcada como relevo na capa do romance que não vivi ao seu lado.
Pergunto aqui e ali se o querer do não poder é justo.
Se é irrepreensível.
Pergunto, às minhas lágrimas, se elas continuarão a causar-me desamparo.
Pergunto com letras, como estas que te escrevo,
se me querer pode ser assim tão distante, tão distante, tão ausente de algum sinal.
Pergunto quando o riso me vem, se entrego a ti ou deixo ficar e se apagar, apenas para mim.
Pergunto, absorto de loucura, se haverá o fim, se houve começo.
Se me ouve.
Ouve-me agora!
Não posso deixar as perguntas me tomando o corpo e a razão,
que já não domino.
Minha pergunta sem resposta é esta também: minha dor te interessa?
quinta-feira, 26 de março de 2009
com fundo raso.
- Ela?
- Sim!
- Não há vejo.
- E o desejo? Passou?
- Por mim. Ele passou. Mas está aqui ainda.
- Agarrou?
- Ela? Quis. Mas não.
- Não! Não ela. O desejo.
- Ele é que me agarrou. O leme.
- Leme? Com este vento...
- Vai me levando com vela é tudo.
- Reza?
- Não, raso. Raspa no fundo do meu casco.
- Sim!
- Não há vejo.
- E o desejo? Passou?
- Por mim. Ele passou. Mas está aqui ainda.
- Agarrou?
- Ela? Quis. Mas não.
- Não! Não ela. O desejo.
- Ele é que me agarrou. O leme.
- Leme? Com este vento...
- Vai me levando com vela é tudo.
- Reza?
- Não, raso. Raspa no fundo do meu casco.
domingo, 22 de março de 2009
assim, sim.
eu te amo.
amo não para sempre,
há tanto amor assim...
amo suas idas e vindas por aquele espaço seu,
amo a saudade de você me mostrando como,
amo suas curvas curtas,
amo seus seios pequenos,
suas pernas brancas,
seus detalhes intocados.
Amo como se foi,
como se fosse ficado,
amo a palavra dita,
a mal dita,
a nunca proferida,
por nunca ter me amado.
Amo sua mente desconhecida,
seu estado de estudo,
sua prancha de salvação,
sua felicidade independente de mim,
seus gostos opostos aos meus.
E amo amar assim,
amo amar sozinho,
aqui no meu cantim...
amo não para sempre,
há tanto amor assim...
amo suas idas e vindas por aquele espaço seu,
amo a saudade de você me mostrando como,
amo suas curvas curtas,
amo seus seios pequenos,
suas pernas brancas,
seus detalhes intocados.
Amo como se foi,
como se fosse ficado,
amo a palavra dita,
a mal dita,
a nunca proferida,
por nunca ter me amado.
Amo sua mente desconhecida,
seu estado de estudo,
sua prancha de salvação,
sua felicidade independente de mim,
seus gostos opostos aos meus.
E amo amar assim,
amo amar sozinho,
aqui no meu cantim...
cruzeiro
Contentei-me com a morte de parte,
Aquele cruzeiro ao longe, branco lateral com o horizonte para todos os lados,
A estrada sem entradas laterais ou cruzamentos de dúvidas,
Com a neve sem frio, em fotos de fatos sem panos meus,
Pasmado sem o ânimo no selim, sem a força do joelho agora quebrado,
Com as frases em cima de outras, coloco-me sob seu mundo,
Solitário com a falta dos meus pêsames, seus,
Coloquei-me em bruços, de brusco, para os olhos do mundo,
Contento-me em ser somente meu.
Aquele cruzeiro ao longe, branco lateral com o horizonte para todos os lados,
A estrada sem entradas laterais ou cruzamentos de dúvidas,
Com a neve sem frio, em fotos de fatos sem panos meus,
Pasmado sem o ânimo no selim, sem a força do joelho agora quebrado,
Com as frases em cima de outras, coloco-me sob seu mundo,
Solitário com a falta dos meus pêsames, seus,
Coloquei-me em bruços, de brusco, para os olhos do mundo,
Contento-me em ser somente meu.
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