quarta-feira, 8 de abril de 2009

abulo

perder as esteiras na volta da praia.
quando atravessa a avenida é que gritaram para que voltasse para pegá-las.
é a volta que o desanimou.
não quer voltar!
não deseja ver o corpo quase,
ou totalmente nu.
não suporta que o espere,
deitada pela autoria da sua estória.
a força não está com ele.
está no lado escuro do quarto.

sim amar, sim!

Quero escrever,
Não palavras!
Quero ouvir,
Não falar!
Quero gritar,
Não voz!
Quero amar,
Sim amar!

domingo, 5 de abril de 2009

viver o tempo

chegara quase vivo.
era quase inteira sua certeza de amá-la.
tempo.
era bom que existisse tanto espaço, tantas palavras.
consolos, é o que eram.
os sentimentos se não eram novos, se não controlados, eram todos humanos demais.
sublimes demais.
mesmo a tristonha certeza, era capaz de apagar a falta de razão de viver.
afinal viver,
era paixão,
desencontros, incompreendidas suspeitas de amor, diferenças de matérias mortais.
agora o sono,
era pedido que vinha mais cedo e dormir ajudava.
sonho?
não tinha,
era sintoma de esquizofrenia, que sabia ter herdado.
ou adquirido enquanto vivia se apaixonando por todas que eram como ele.
daqueles tipos que ouvem o outro chamar o nome.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

ego 1

e o ego engole o gole do que é logo;
qual o logo de quem não tem ego?

ô trem!

sonho, aliás penso, que,
desde fora,
tens ficado por dentro
de como estou.
depois de ter-me lançado pra fora de seu carrinho.
dê mãos aqui e alongue o seu tempo,
encurtando o meu de espera.

tá?

você me vem pela rede,
vi as letras de sua terra.

quer sentir onde estou?

vivi n'água,
energia gastei.

sim! eu sei.

respiro fácil.
hoje,
suspiro...

será?

ais para seu ai

teus ais quando cais sobre mim.
ai.
quero rasgar coco com dentes quando vejo-te despida.
tua carne não é comestível não?
ai quando teus pés dão a volta em volta de mim.
tua garganta dita no martelo e na bigorna do meu ouvido,
bobagens, bobagens, bobagens.
ai.
os poros jorrando, cabelos deitando e virando cortina de ti.
viras, viras, viras o espelho para que acreditemos quando lembrarmos.

reveja julho de 2008

Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

outra coisa
Sou sombra, nuvem cheia e copo com água em cima da pia.
Se deixar eu derramo,
entorno.
Quando encosto na cabeceira dura da cama é que me dá vontade de chorar baixinho.
Bem baixinho.
Meu cachorro uiva pra lua e eu olho pra ela e ela não me vê.
Às vezes penso que ela é burra.
- Né nada, minha tia Célia dizia.
Isto é coisa de lua nova, quanto menos se vê, mais quer.
Conheço pessoas que nunca foram na minha casa,
que nunca ficaram perplexas ou paradas.
O touro é que não gosta delas.
Eu tenho uma dorzinha que me incomoda de vez em quando.
Quando ela some de todo,
eu a cutuco pra me ver vivo,
loquaz,
atendido nas minhas perdidas esperanças.
Queria ter companhia pra chorar de noite,
noite e dia,
noite e dia, noite e dia.
Chorar sozinho é bom quando não se quer companhia.
Eu quero derramar aquele copo d'água inteirinho,
mas na boca de quem não escuto a voz,
mas sei que já chegou.
Reconheço gente de olho fechado,
se tiver perfume bom,
se tiver uma mão macia
ou cabelo de anjo.
Desesperei uma vez quando me sumiu todo meu amor.
Nem sabia que tinha ainda daquele jeito.
Depois enchi-me de coragem e fui pegar a roupa no varal,
catar limão,
lavar calçada e depois entrei em casa.
Estas coisas eu faço pra me pegar sozinho e me convencer que a vida é só isto.
Mas eu tô olhando lá da janela e grito:
Corre Marcos que vem chuva!

reveja novembro de 2008

Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

suas coisas
seu cabelo preso
seus olhos semi fechados
seu fluxo
seu refluxo
sua cor
sua dança aos treze
seus cadeados
seus cds estragados
sua crença
seus músculos
suas pintas
seus relógios variados
seus ouvidos
seus gritos
seus suaves exercícios
seus alongamentos
sua bronca
sua sandália branca
suas camisetas
suas poucas palavras
suas aulas
seus pulos
seu cabelo solto
sua roupa rosa
sua roupa verde
sua boca
seus olhos
sua voz
suas abelhas
nossa bicicleta pra ir embora

quinta-feira, 2 de abril de 2009

não me assento

silencio. se me pedes.
distancio. se tu ficas.
denuncia. minha paixão.
alivio. seu apresamento.
copia. nosso destino.
fútil. o amor.

terça-feira, 31 de março de 2009

os tais

onde?
onde estarão os seres amenos?
os que queremos ao lado.
estarão em algum lugar especial para eles?
talvez estejam dentro do vidro de figos que Tia Corália fez.
ou devem se encontrar,
e, se sentando em cadeiras de madeira, falam de mim.
e de você.
riem-se, como meninos e meninas levadas,
e se escondendo de nós, plantam seus sorrisos belos,
suas palavras queridas, suas faces tão belas, em terras cultivadas por nós.
talvez estejam na lombada seguinte da estrada.
conheces?
nos olham distante, não vemos se nos vêmm.
quando se deitam, olhamos seus corpos verticais,
colocando seus cabelos por trás da orelha.
são meros os meus.
são manada, estas crianças,
tranquilos são, os que comem,
os que escolhem os sais, os tais, os quais.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html