sexta-feira, 3 de abril de 2009

ô trem!

sonho, aliás penso, que,
desde fora,
tens ficado por dentro
de como estou.
depois de ter-me lançado pra fora de seu carrinho.
dê mãos aqui e alongue o seu tempo,
encurtando o meu de espera.

tá?

você me vem pela rede,
vi as letras de sua terra.

quer sentir onde estou?

vivi n'água,
energia gastei.

sim! eu sei.

respiro fácil.
hoje,
suspiro...

será?

ais para seu ai

teus ais quando cais sobre mim.
ai.
quero rasgar coco com dentes quando vejo-te despida.
tua carne não é comestível não?
ai quando teus pés dão a volta em volta de mim.
tua garganta dita no martelo e na bigorna do meu ouvido,
bobagens, bobagens, bobagens.
ai.
os poros jorrando, cabelos deitando e virando cortina de ti.
viras, viras, viras o espelho para que acreditemos quando lembrarmos.

reveja julho de 2008

Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

outra coisa
Sou sombra, nuvem cheia e copo com água em cima da pia.
Se deixar eu derramo,
entorno.
Quando encosto na cabeceira dura da cama é que me dá vontade de chorar baixinho.
Bem baixinho.
Meu cachorro uiva pra lua e eu olho pra ela e ela não me vê.
Às vezes penso que ela é burra.
- Né nada, minha tia Célia dizia.
Isto é coisa de lua nova, quanto menos se vê, mais quer.
Conheço pessoas que nunca foram na minha casa,
que nunca ficaram perplexas ou paradas.
O touro é que não gosta delas.
Eu tenho uma dorzinha que me incomoda de vez em quando.
Quando ela some de todo,
eu a cutuco pra me ver vivo,
loquaz,
atendido nas minhas perdidas esperanças.
Queria ter companhia pra chorar de noite,
noite e dia,
noite e dia, noite e dia.
Chorar sozinho é bom quando não se quer companhia.
Eu quero derramar aquele copo d'água inteirinho,
mas na boca de quem não escuto a voz,
mas sei que já chegou.
Reconheço gente de olho fechado,
se tiver perfume bom,
se tiver uma mão macia
ou cabelo de anjo.
Desesperei uma vez quando me sumiu todo meu amor.
Nem sabia que tinha ainda daquele jeito.
Depois enchi-me de coragem e fui pegar a roupa no varal,
catar limão,
lavar calçada e depois entrei em casa.
Estas coisas eu faço pra me pegar sozinho e me convencer que a vida é só isto.
Mas eu tô olhando lá da janela e grito:
Corre Marcos que vem chuva!

reveja novembro de 2008

Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

suas coisas
seu cabelo preso
seus olhos semi fechados
seu fluxo
seu refluxo
sua cor
sua dança aos treze
seus cadeados
seus cds estragados
sua crença
seus músculos
suas pintas
seus relógios variados
seus ouvidos
seus gritos
seus suaves exercícios
seus alongamentos
sua bronca
sua sandália branca
suas camisetas
suas poucas palavras
suas aulas
seus pulos
seu cabelo solto
sua roupa rosa
sua roupa verde
sua boca
seus olhos
sua voz
suas abelhas
nossa bicicleta pra ir embora

quinta-feira, 2 de abril de 2009

não me assento

silencio. se me pedes.
distancio. se tu ficas.
denuncia. minha paixão.
alivio. seu apresamento.
copia. nosso destino.
fútil. o amor.

terça-feira, 31 de março de 2009

os tais

onde?
onde estarão os seres amenos?
os que queremos ao lado.
estarão em algum lugar especial para eles?
talvez estejam dentro do vidro de figos que Tia Corália fez.
ou devem se encontrar,
e, se sentando em cadeiras de madeira, falam de mim.
e de você.
riem-se, como meninos e meninas levadas,
e se escondendo de nós, plantam seus sorrisos belos,
suas palavras queridas, suas faces tão belas, em terras cultivadas por nós.
talvez estejam na lombada seguinte da estrada.
conheces?
nos olham distante, não vemos se nos vêmm.
quando se deitam, olhamos seus corpos verticais,
colocando seus cabelos por trás da orelha.
são meros os meus.
são manada, estas crianças,
tranquilos são, os que comem,
os que escolhem os sais, os tais, os quais.

segunda-feira, 30 de março de 2009

terra

a terra tem olho azul
e pele branca.
suas águas me entornam
e suas terras me têm.

julho de 2008, revendo

Terça-feira, 1 de Julho de 2008

Leite
Preciso deixar-me sair de dentro de mim.
Já.
Preciso ir a algum lugar para me observar,
de fora para dentro.
Preciso descansar de mim,
de você que está tão aqui dentro.
Solidão de dor,
de consciência,
de esperança,
de certezas tristes,
de coisas tangíveis e eternas.
Quero a companhia do passageiro,
da passageira,
do que vai morrer logo ali.
A companhia das coisas que a gente vê,
rapidamente,
e guarda na memória pra lembrar depois,
se precisar.
Desespero total a curto prazo,
melhor que pensar em tê-la sem tê-la,
de tê-la a pensar sem pensar...
Quero me aninhar em mim mesmo,
mesmo sabendo que daqui não sai leite morno,
colostro.
Nem carinho de pai.
Sinto não poder ter-me em ti.

domingo, 29 de março de 2009

primeira carta

Tento achar algo que possa ser longo o bastante para que estendas a mão
e entenda a aspereza de quem quer servir-te
Quando acordo, não é em você que penso logo, nem durante o dia ao menos,
mas perto do meio dia, sim, eu me lembro de sua claridade.
Diferentemente de outros dias, quando lembro de você, algo seu me anima.
Sei que seus pensamentos são muitos, e, não quero ser confusão no meu modo de falar.
Quem está mais próximo, à sua volta, pode abraçá-la, tocá-la e beijar suas mãozinhas,
que imagino, sejam pequenas.
Eu não.
Isto me faz ficar mais próximo de você do que se realmente estivesse.
É esta uma das emoções que tenho hoje.
Não ter o que é de outros, de outras, de épocas ou de anos mais recentes que os meus,
tem sido a rotina.
Sei que sua sede de viver ainda será muita e esta sede não lhe faltará na vida, às vezes.
A vida é assim mesmo,
depois de vários outonos febris, verões esperançosos, primaveras e invernos tristes ou sombrios, ficamos menos dependentes da vida que esperamos ter.
Peço que tenha calma e espere que o tempo faça parte de você,
já que ele é nosso aliado, não inimigo.
Se minha admiração por sua fala, suas imagens trocadas, for maior que o desejo de tê-la distante e desconhecida, a verei no espelho d'água.
Se seus olhos forem como seus olhares, terei certeza que tenho em você, uma mestra e discípula eficiente e eficaz.
Tudo numa só pessoa, assim, surreal e imaginativa.
Sua beleza, quando olha para cima, me coloca em fase de lua cheia.

sábado, 28 de março de 2009

reveja, julho de 2008

Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

linda

não é de modo nenhum/não se pode/
serei completo /o momento exige/
a forma e conteúdo permitem/
o silêncio não é a solução/
conter o turbilhão será insuportável/
portanto digo/
linda!

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html